• Colegio Sao Pedro

Você conhece o Alfredo?

Paulo Pio

Seu nome era Alfredo, um empresário de sucesso. Um homem que desde cedo aprendeu a ganhar dinheiro. Começou vendendo verduras e legumes de porta em porta numa cidade do interior, lá nos idos dos anos 1950. Com muito esforço e dedicação, aliado a um sorriso espontâneo e cativante, Alfredo foi conquistando seu espaço no mercado em que resolveu atuar. De vendedor de rua passou a feirante, o mais simpático da região! Sua alegria e seu entusiasmo pelo trabalho logo o levaram para novos desafios profissionais e ao sucesso. Com o tempo tornou-se um grande agricultor, dono de muitas terras e de muitos bens materiais.

Todas as pessoas que conviviam com Alfredo o achavam um modelo a ser seguido, as mulheres o cobiçavam, as mães o viam como o marido ideal para as suas filhas, os amigos se divertiam com ele, o consideravam um bonachão, alguém que estava sempre de bom humor e pronto para a próxima anedota.  No entanto, o mesmo sucesso não acontecia dentro do seu lar, junto da sua família. Ao chegar em sua casa, Alfredo parecia que vestia um outro personagem, seus modos eram brutos e rudes, estava sempre de mau humor, sua mulher era tratada como uma escrava do lar, seus desejos tinham de ser atendidos na hora e uma simples refeição que por algum motivo atrasava cinco minutos o levava a se irar contra tudo e contra todos. Sua frase principal em casa era:  “Mulher, hoje meu dia foi muito difícil e estou com pouca paciência, não quero ser incomodado por nada neste mundo”. Em seguida, ia para os seus afazeres egoístas e deixava a família ao desamparo.

Seus filhos o temiam, um misto de respeito imposto pela força e pela opressão. Era um pai inflexível que, ao mínimo descontentamento com alguma situação, lançava toda a sorte de impropérios sobre eles. Frases do tipo “Vocês só me dão prejuízo”, “Vocês não servem para nada”,  “Faça isto ou aquilo porque eu mandei” eram frequentes em seu vocabulário. Quando estava com a família em um evento social, as coisas mudavam ‘da água para o vinho’ – voltava a ser aquele sujeito legal, mostrava-se um pai prestimoso e amoroso. Os amigos comentavam: “Meu objetivo de vida é um dia ser um homem perfeito como o Alfredo!”.

Por isso, ninguém na cidade acreditou na notícia e alguns amigos comentaram a profunda ingratidão filial daqueles atos praticados. Seu filho foi pego pela polícia daquela cidade do interior portando drogas ilícitas – e ele não era só usuário, era também um dos principais traficantes do local. Sua filha saiu do lar com a desculpa dos estudos em uma universidade distante para nunca mais voltar. Vez por outra se encontrava com a mãe para matar as saudades, porém, nunca mais quis ver o pai.

Naquela famosa roda de amigos, Alfredo não se cansava de comentar a ingratidão dos filhos, vivia repetindo aos que o ouviam cheios de compaixão: “Eu dei tudo para eles, nunca faltou nada, trabalhei a vida toda como um louco só para lhes dar o conforto que eu não tive na infância. Meu Deus, o que eu fiz de errado, o que eu fiz de errado?” Fazer o que se fala. A força do exemplo que arrasta nunca foi tão importante na relação entre pais e filhos!

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