• Colegio Sao Pedro

O poetinha e as crianças

Marcus Vinicius Melo Morais nasceu no Rio de Janeiro, no dia 19 de outubro de 1913, filho do funcionário público e poeta Clodoaldo Pereira da Silva e da pianista Lídia Cruz. Desde cedo já mostrava interesse por poesia. Entrou para o coral da igreja, onde desenvolveu suas habilidades musicais. Em 1928 começou a fazer as primeiras composições.

Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia o apelido “Poetinha”, notabilizou-se pelos seus sonetos e canções. “Garota de Ipanema”, feita em parceria com Tom Jobim, tornou-se um hino da música popular brasileira e mundial. É até hoje a quinta canção mais regravada no mundo. Foi também um dos fundadores, nos anos 1950, do movimento musical Bossa Nova, e um dos grandes representantes da Segunda Fase do Modernismo na literatura, além de ser dramaturgo e diplomata de carreira. Sua obra é vasta, passando por literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, ele sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta. No campo musical, o Poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Vamos ler um pouco da sua obra?

A cachorrinha Mas que amor de cachorrinha! Mas que amor de cachorrinha! Pode haver coisa no mundo Mais branca, mais bonitinha Do que a tua barriguinha Crivada de mamiquinha? Pode haver coisa no mundo Mais travessa, mais tontinha Que esse amor de cachorrinha Quando vem fazer festinha Remexendo a traseirinha? Uau, uau, uau, uau! Uau, uau, uau, uau! A casa Era uma casa Muito engraçada Não tinha teto Não tinha nada Ninguém podia entrar nela, não Porque na casa não tinha chão Ninguém podia dormir na rede Porque a casa não tinha parede Ninguém podia fazer pipi Porque penico não tinha ali Mas era feita com muito esmero Na Rua dos Bobos Número Zero

O pinguim Bom dia, pinguim Onde vai assim Com ar apressado? Eu não sou malvado Não fique assustado Com medo de mim. Eu só gostaria De dar um tapinha No seu chapéu-jaca Ou bem de levinho Puxar o rabinho Da sua casaca.

O leão Leão! Leão! Leão! Rugindo como o trovão Deu um pulo, e era uma vez Um cabritinho montês. Leão! Leão! Leão! És o rei da criação! Tua goela é uma fornalha Teu salto, uma labareda Tua garra, uma navalha Cortando a presa na queda. Leão longe, leão perto Nas areias do deserto. Leão alto, sobranceiro Junto do despenhadeiro. Leão na caça diurna Saindo a correr da furna. Leão! Leão! Leão! Foi Deus que te fez ou não? O salto do tigre é rápido Como o raio; mas não há Tigre no mundo que escape Do salto que o Leão dá. Não conheço quem defronte O feroz rinoceronte. Pois bem, se ele vê o leão Foge como um furacão. Leão se esgueirando, à espera Da passagem de outra fera… Vem o tigre; como um dardo Cai-lhe em cima o leopardo E enquanto brigam, tranquilo O leão fica olhando aquilo. Quando se cansam, o leão Mata um com cada mão. Leão! Leão! Leão! És o rei da criação! O pato Lá vem o pato Pata aqui, pata acolá Lá vem o pato Para ver o que é que há. O pato pateta Pintou o caneco Surrou a galinha Bateu no marreco Pulou do poleiro No pé do cavalo Levou um coice Criou um galo Comeu um pedaço De jenipapo Ficou engasgado Com dor no papo Caiu no poço Quebrou a tigela Tantas fez o moço Que foi pra panela. O gato Com um lindo salto Lesto e seguro O gato passa Do chão ao muro Logo mudando De opinião Passa de novo Do muro ao chão E pega corre Bem de mansinho Atrás de um pobre De um passarinho Súbito, para Como assombrado Depois dispara Pula de lado E quando tudo Se lhe fatiga Toma o seu banho Passando a língua Pela barriga. O ar (O vento) Estou vivo mas não tenho corpo Por isso é que não tenho forma Peso eu também não tenho Não tenho cor Quando sou fraco Me chamo brisa E se assobio Isso é comum Quando sou forte Me chamo vento Quando sou cheiro Me chamo pum!

O peru Glu! Glu! Glu! Abram alas pro peru! O peru foi a passeio Pensando que era pavão Tico-tico riu-se tanto Que morreu de congestão. O peru dança de roda Numa roda de carvão Quando acaba fica tonto De quase cair no chão. O peru se viu um dia Nas águas do ribeirão Foi-se olhando foi dizendo Que beleza de pavão! Glu! Glu! Glu! Abram alas pro peru!

As abelhas A abelha-mestra E as abelhinhas Estão todas prontinhas Para ir para à festa Num zune que zune Lá vão pro jardim Brincar com a cravina Valsar com o jasmim Da rosa pro cravo Do cravo pra rosa Da rosa pro favo E de volta pra rosa Venham ver como dão mel As abelhas do céu Venham ver como dão mel As abelhas do céu A abelha-rainha Está sempre cansada Engorda a pancinha E não faz mais nada Num zune que zune Lá vão pro jardim Brincar com a cravina Valsar com o jasmim Da rosa pro cravo Do cravo pra rosa Da rosa pro favo E de volta pra rosa Venham ver como dão mel As abelhas do céu Venham ver como dão mel As abelhas do céu. O elefantinho Onde vais, elefantinho Correndo pelo caminho Assim tão desconsolado? Andas perdido, bichinho Espetaste o pé no espinho Que sentes, pobre coitado? — Estou com um medo danado Encontrei um passarinho!

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